Xlovecam – Os franceses e a infidelidade
Maio de 2026

Este novo estudo dá continuidade a outros inquéritos realizados pela Discurv sobre os franceses e a sexualidade, bem como sobre as celebridades mais sexy em França e na Europa.

Objetivos do estudo


A relação amorosa e o desejo

Entre pessoas que estão numa relação ou têm um parceiro fixo

Os sentimentos presentes na relação

Na sua relação atual, três em cada quatro inquiridos afirmam sentir afeto pelo parceiro, enquanto pouco mais de metade refere também sentir desejo. O desejo parece ser mais frágil e tende a diminuir com o passar do tempo: os casais com mais de 10 anos de relacionamento e os seniores relatam níveis mais baixos de desejo dentro da relação.

Ao contrário dos habitantes da região de Auvergne, os residentes do sudoeste de França afirmam sentir mais desejo no seu relacionamento.

Entre os inquiridos, um terço afirma sentir tanto desejo como afeto pelo parceiro, enquanto metade sente sobretudo afeto em detrimento do desejo. Embora o desejo pareça menos intenso, parece ser relativamente partilhado dentro da relação, já que 42% afirmam que o nível de desejo é equivalente entre si e o parceiro. Os homens parecem ser aqueles que sentem mais desejo do que o parceiro.

A imagem é um infográfico dividido em três secções principais sobre um fundo cinzento-claro, apresentando os resultados de um inquérito realizado junto de 664 pessoas que vivem numa relação ou têm um parceiro fixo. Os gráficos utilizam principalmente duas cores: azul-violeta para representar o desejo e dourado para representar o afeto.

Sentimentos presentes na relação

Na parte esquerda da imagem, um gráfico de barras horizontais apresenta os sentimentos atualmente presentes nas relações dos inquiridos.

A primeira e maior barra horizontal, em azul-violeta, representa o afeto. Atinge 73%, o que significa que quase três em cada quatro inquiridos afirmam sentir afeto na sua relação.

Abaixo desta surge uma segunda barra horizontal, também em azul-violeta mas ligeiramente mais curta, representando o desejo. Esta atinge 55%, indicando que pouco mais de metade dos inquiridos sente desejo na sua relação atual.

Ao lado desta barra, vários resultados específicos são destacados:

Por fim, uma pequena barra cinzenta representa as pessoas que afirmam não sentir nem afeto nem desejo na sua relação. Esta categoria representa apenas 6% dos inquiridos.

Sentimento predominante em relação ao parceiro

Na parte superior direita da imagem, um gráfico em forma de dupla seta ilustra o equilíbrio entre afeto e desejo sentidos pelo parceiro.

A seta estende-se para a esquerda em azul-violeta e para a direita em dourado.

São apresentadas três situações:

Visualmente, a parte dourada domina claramente, ilustrando que o afeto é mais frequentemente citado como o principal sentimento dentro da relação do que o desejo.

Relação com o desejo dentro do casal

Na parte inferior direita, um segundo gráfico de dupla seta analisa a perceção da distribuição do desejo entre os parceiros.

São representadas três situações:

O gráfico mostra, assim, que uma maioria relativa considera que o desejo está equilibrado ou que é o parceiro quem sente mais desejo.

Apesar de um nível de desejo mais reduzido, uma grande maioria dos inquiridos considera que o parceiro atual é a pessoa mais atraente com quem já esteve, o melhor parceiro sexual que já teve e a pessoa com quem viveu as experiências sexuais mais ousadas em comparação com relações anteriores. De forma geral, a relação atual é percecionada como superior às relações passadas.

Os jovens entre os 18 e os 34 anos são particularmente propensos a considerar o parceiro atual como o “melhor amante” que já tiveram.

A imagem apresenta três afirmações relacionadas com o parceiro atual dos inquiridos. Para cada afirmação, uma barra horizontal segmentada mostra o nível de concordância, desde «Concordo totalmente» até «Discordo totalmente», incluindo ainda a categoria «Não aplicável». As respostas positivas são representadas em azul-violeta, enquanto as negativas aparecem em tons de bege e dourado. À direita de cada barra encontra-se a pontuação total de concordância, correspondente à soma das respostas «Concordo totalmente» e «Concordo parcialmente».


O parceiro atual é a pessoa mais atraente com quem já esteve?

A primeira afirmação é:

«... a pessoa mais atraente entre todos os parceiros que já teve.»

Os resultados mostram uma perceção muito positiva do parceiro atual:

No total, 77% dos inquiridos consideram que o parceiro atual é a pessoa mais atraente com quem já tiveram uma relação.

Resultados ainda mais elevados são observados em algumas regiões:

Visualmente, a barra é amplamente dominada pelas respostas positivas, refletindo uma forte valorização física do parceiro atual.


O parceiro atual é o melhor parceiro sexual que já teve?

A segunda afirmação é:

«... o melhor amante que já teve.»

As respostas continuam largamente positivas:

A pontuação total de concordância atinge 72%.

Ou seja, quase três em cada quatro inquiridos consideram que o parceiro atual é o melhor parceiro sexual que já tiveram.

Esta proporção sobe para 80% entre os jovens de 18 a 34 anos, sugerindo que os mais jovens são ainda mais propensos a considerar o parceiro atual como a sua melhor experiência sexual.


O parceiro atual é a pessoa com quem viveu as experiências sexuais mais ousadas?

A terceira afirmação é:

«... o parceiro com quem fez as coisas mais loucas na cama.»

Os resultados são os seguintes:

A pontuação total de concordância atinge 70%.

Assim, sete em cada dez inquiridos consideram que o parceiro atual é a pessoa com quem viveram as experiências sexuais mais ousadas ou memoráveis.

Em Hauts-de-France, esta proporção sobe para 82%, um valor significativamente superior à média nacional.


Interpretação geral do infográfico

O infográfico evidencia uma forte valorização do parceiro atual. Uma larga maioria dos inquiridos considera que a pessoa com quem está atualmente ocupa um lugar privilegiado em comparação com todos os parceiros anteriores:

As respostas positivas dominam claramente os três indicadores, sugerindo que os inquiridos tendem a percecionar a sua relação atual como superior às experiências amorosas e sexuais anteriores.

Ainda assim, metade dos franceses admite já ter fantasiado com alguém mais atraente do que o parceiro e considera que o parceiro não é necessariamente a pessoa com quem poderia realizar as suas fantasias mais secretas. Os homens são mais propensos do que as mulheres a partilhar esta opinião.

Quatro em cada dez franceses recordam com nostalgia a sua vida sexual antes do parceiro atual, e uma proporção semelhante admite já ter pensado noutra pessoa durante uma relação sexual com o parceiro para atingir o orgasmo mais facilmente. Os jovens entre os 18 e os 34 anos parecem ser os mais propensos a este tipo de comportamentos que podem ser considerados próximos da infidelidade.

Comportamentos e práticas próximas da traição dentro do casal

Este infográfico apresenta vários comportamentos que podem ser percebidos como formas de microinfidelidade ou como atitudes próximas da traição. Para cada situação, os inquiridos indicam se já a praticaram frequentemente, às vezes, raramente ou nunca. A coluna da direita reúne as pessoas que afirmam já o ter feito pelo menos uma vez.


Fantasiar com uma pessoa muito mais bonita ou atraente do que o(a) parceiro(a)

A prática mais comum diz respeito ao facto de fantasiar com alguém considerado muito mais sedutor do que o parceiro atual.

As respostas distribuem-se da seguinte forma:

No total, 55% dos inquiridos reconhecem já o ter feito pelo menos uma vez.

Esta proporção atinge 62% entre os homens, um valor significativamente superior à média.


Pensar que o(a) parceiro(a) não é a pessoa com quem se poderiam concretizar as fantasias mais secretas

A segunda situação consiste em pensar que o parceiro atual não é a pessoa com quem seria possível concretizar as fantasias mais íntimas.

Os resultados são os seguintes:

No total, 49% dos inquiridos já tiveram esta reflexão.

Os grupos mais afetados são:


Recordar com nostalgia a vida sexual com um(a) ex

O infográfico também mede a frequência com que as pessoas recordam com nostalgia a sua vida sexual passada.

As respostas indicam que:

No total, 43% declaram já o ter feito.

Esta proporção sobe para:


Pensar noutra pessoa durante uma relação sexual com o(a) parceiro(a)

Outra questão aborda o facto de imaginar outra pessoa durante uma relação sexual para atingir mais facilmente o orgasmo.

Os resultados mostram que:

Assim, 39% dos inquiridos reconhecem já ter pensado noutra pessoa durante uma relação sexual com o parceiro.

Esta proporção atinge 50% entre os jovens de 18 a 34 anos.


Comparar negativamente a vida sexual do casal ao ver conteúdos pornográficos

O estudo analisa igualmente o impacto da pornografia na perceção da vida sexual do casal.

Os participantes tiveram de indicar se alguma vez lhes aconteceu pensar, ao ver conteúdos pornográficos, que a sua vida sexual era dececionante em comparação.

As respostas foram:

No total, 32% já sentiram esta deceção comparativa.

As taxas aumentam para:


Trocar mensagens ambíguas ou de carácter sexual com outra pessoa

Uma das situações mais próximas de uma infidelidade digital diz respeito à troca de mensagens ambíguas ou de natureza sexual com outra pessoa através das redes sociais ou de aplicações de mensagens.

Os resultados mostram que:

No total, 28% reconhecem já ter tido este tipo de troca.

Entre os 18-34 anos, esta proporção sobe para 50%, ou seja, uma pessoa em cada duas.


Ter uma conversa íntima, romântica ou sexual com uma inteligência artificial

Por fim, o estudo interessa-se por uma prática emergente: as interações afetivas ou sexuais com uma inteligência artificial (ChatGPT, Replika, Character.ai, etc.).

Os resultados são os seguintes:

No total, 20% dos inquiridos afirmam já ter tido uma conversa íntima, romântica ou sexual com uma IA.

Esta prática é particularmente marcada entre os 18-34 anos, onde atinge 47%, ou seja, quase um jovem adulto em cada dois.


Leitura geral do infográfico

A imagem evidencia que muitos comportamentos considerados zonas cinzentas da fidelidade são relativamente frequentes entre os casais.

Os comportamentos mais comuns são essencialmente mentais ou fantasiosos:

Os comportamentos que implicam uma interação real com terceiros são menos frequentes, mas continuam a ser significativos:

O infográfico mostra igualmente que os 18-34 anos surgem sistematicamente como a geração mais envolvida, com níveis frequentemente muito superiores à média nacional, sobretudo no que diz respeito à troca de mensagens ambíguas (50%) e às conversas íntimas com uma IA (47%).

Os casais mais recentes são os mais suscetíveis de apresentar este tipo de comportamento, nomeadamente fantasiar com outra pessoa e pensar noutra pessoa durante uma relação sexual para atingir mais facilmente o orgasmo.

Por outro lado, os casais mais antigos parecem menos ligados às novas tecnologias, apresentando uma menor proporção de pessoas que já trocaram sexting ou tiveram uma conversa íntima com uma IA.


Influência da duração da relação nos comportamentos próximos da traição

Este infográfico apresenta os mesmos comportamentos analisados anteriormente, mas desta vez comparando-os de acordo com a duração da relação. Os resultados correspondem à percentagem de pessoas que já adotaram estes comportamentos (frequentemente, às vezes ou raramente).

As colunas distinguem quatro categorias de casais:

Os números a verde indicam resultados significativamente superiores à média, enquanto os números a rosa indicam resultados significativamente inferiores.


Leitura geral do infográfico

O conjunto dos resultados mostra uma tendência muito clara: os comportamentos que podem ser assimilados a formas de microinfidelidade são significativamente mais frequentes nos casais recentes do que nas relações de longa duração.

Para cada uma das sete práticas estudadas, os casais com menos de um ano de relação apresentam sistematicamente as taxas mais elevadas:

Pelo contrário, os casais com mais de dez anos apresentam quase sempre os níveis mais baixos. Esta evolução sugere que, com o passar do tempo, a relação tende a estabilizar-se e a reduzir determinados comportamentos associados à exploração, à comparação ou à procura de alternativas afetivas e sexuais.

Um quarto dos inquiridos declara já ter estado numa relação aberta, dos quais 12% mais do que uma vez. Uma prática mais comum entre os homens, os jovens e as pessoas bissexuais ou homossexuais.

Um em cada cinco franceses já teve relações sexuais em grupo. Mais uma vez, esta prática é mais frequente entre os jovens do que entre os mais velhos e entre as pessoas bissexuais ou homossexuais.

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Experiências de não monogamia e sexualidade aberta dentro do casal

Este infográfico analisa experiências concretas de relações abertas ou de sexualidade partilhada com outros parceiros. Para cada situação, os inquiridos indicam se a viveram uma única vez, várias vezes ou nunca.

As respostas positivas estão agrupadas na coluna da direita sob o indicador «Total Sim», que corresponde à percentagem total de pessoas que já viveram esta experiência pelo menos uma vez.


Ter estado numa relação aberta

A primeira situação analisada é:

«Estar numa relação aberta com um(a) parceiro(a), em que ambos são livres de ter relações sexuais com outras pessoas.»

Os resultados mostram que:

No total, 24% dos inquiridos afirmam já ter estado numa relação aberta pelo menos uma vez na vida.

Alguns grupos estão particularmente representados:

Por outro lado, as taxas são significativamente mais baixas entre:

Visualmente, o gráfico mostra que cerca de um quarto dos inquiridos já experimentou alguma forma de relação aberta, enquanto três quartos nunca viveram este tipo de relação.


Ter relações sexuais com o(a) parceiro(a) e outras pessoas

A segunda situação diz respeito ao envolvimento simultâneo do casal em atividades sexuais com outros parceiros:

«Ter relações sexuais com o(a) seu(sua) parceiro(a) e outras pessoas (ex.: ménage à trois, troca de casais, festa liberal/swinger, etc.).»

Os resultados indicam que:

A percentagem total de pessoas que já tiveram esta experiência é de 19%.

Por outras palavras, quase uma pessoa em cada cinco afirma já ter participado numa experiência sexual que envolvia o seu parceiro e outras pessoas.

Os grupos mais representados são:

Por outro lado, as proporções são mais baixas entre:


Leitura geral do infográfico

Este infográfico mostra que as experiências de não monogamia existem, mas continuam a ser minoritárias na população.

Os resultados indicam que:

Em ambos os casos, estes comportamentos são muito mais frequentes entre as pessoas LGBT+ e os jovens adultos dos 18 aos 34 anos.

A diferença mais significativa observa-se entre os homossexuais e os bissexuais, cujas taxas são frequentemente duas a quatro vezes superiores às observadas no conjunto da população.

Globalmente, o estudo sugere que, embora a monogamia continue a ser o modelo dominante, uma parte considerável dos inquiridos já experimentou, pelo menos ocasionalmente, formas de relação ou de sexualidade que se afastam do modelo tradicional de casal exclusivo.


Experiências e perspetivas em relação à infidelidade

Os franceses têm uma visão otimista da fidelidade: três quartos acreditam que é possível permanecer fiel à mesma pessoa durante toda a vida, uma convicção particularmente forte entre os mais jovens e os habitantes do noroeste de França. Em contrapartida, os seniores, os bissexuais e os habitantes do sul de França tendem a ser mais pessimistas.

De facto, um terço dos franceses já foi infiel, e entre estes, um terço foi-o durante o período de verão. Os habitantes do sul de França e os bissexuais parecem ser os mais propensos à infidelidade, ao contrário dos habitantes da Bretanha e do norte do país. Acreditar na fidelidade também parece ajudar a permanecer fiel ao parceiro.


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Fidelidade para toda a vida e experiências de infidelidade

Este infográfico está dividido em duas partes. A primeira mede a crença dos franceses na possibilidade de permanecerem fiéis à mesma pessoa durante toda a vida. A segunda explora as experiências reais de infidelidade declaradas pelos inquiridos.


Acreditar na fidelidade para toda a vida

À esquerda da imagem, um gráfico de barras verticais empilhadas apresenta as respostas à pergunta sobre se os inquiridos acreditam que é possível ser fiel ao mesmo parceiro durante toda a vida.

Os resultados mostram uma adesão maioritária a esta ideia:

Visualmente, a parte azul que representa as respostas positivas ocupa a maior parte da barra, ilustrando uma forte confiança na possibilidade de uma fidelidade duradoura.

Perfis que acreditam mais na fidelidade para toda a vida

Alguns grupos apresentam níveis superiores à média:

Estes grupos mostram-se particularmente otimistas quanto à possibilidade de permanecer fiel ao mesmo parceiro durante toda a vida.

Perfis que acreditam menos

Por outro lado, alguns grupos estão mais representados entre aqueles que não acreditam na fidelidade para toda a vida:


Experiências de infidelidade

À direita da imagem, um gráfico circular em anel apresenta as respostas à questão relativa a infidelidades passadas.

Os inquiridos estão divididos em quatro categorias.

Já foram infiéis

A primeira categoria corresponde às pessoas que reconhecem já ter traído um parceiro.

Representa 31% dos inquiridos.

Dentro da amostra total, 10% afirmam mesmo ter sido infiéis em várias ocasiões.

Por outras palavras, quase um terço dos inquiridos admite ter cometido uma infidelidade ao longo da sua vida amorosa.

Os grupos mais representados são:

Por outro lado, as proporções são significativamente mais baixas entre:


Nunca foram infiéis, mas acreditam que isso lhes poderia acontecer

Esta categoria representa 17% dos inquiridos.

Estas pessoas afirmam nunca ter traído o parceiro até ao momento, mas consideram que isso poderia acontecer em determinadas circunstâncias.


Nunca foram infiéis e acreditam que isso nunca lhes aconteceria

Esta é a categoria mais importante.

47% dos inquiridos afirmam nunca ter sido infiéis e estão convencidos de que nunca o seriam.

Assim, quase uma pessoa em cada duas adota uma postura de fidelidade assumida, tanto nos factos como nas intenções.


Nunca tiveram uma relação

Por fim, 7% dos inquiridos declaram nunca ter estado envolvidos numa relação amorosa, o que os exclui naturalmente de qualquer experiência de infidelidade.


Leitura geral do infográfico

O infográfico revela um contraste interessante entre convicções e comportamentos.

Por um lado, 73% dos franceses acreditam que é possível permanecer fiel à mesma pessoa durante toda a vida, mostrando que o ideal da fidelidade continua amplamente partilhado.

Por outro lado, 31% reconhecem já ter sido infiéis, o que indica que uma parte significativa da população já transgrediu esta norma relacional.

Ao combinar os resultados, o estudo destaca três grandes perfis:

Estes resultados sugerem que a fidelidade continua a ser um valor central nas representações coletivas, embora os comportamentos reais pareçam mais complexos e, por vezes, afastados deste ideal.

Se lhes fosse proposta uma relação sexual totalmente discreta, um em cada cinco franceses deixaria-se tentar, especialmente aqueles que já foram infiéis, os bissexuais, os homossexuais e os homens. Os casais mais recentes também parecem ser os mais frágeis.

Perante a infidelidade de um parceiro, uma clara maioria dos franceses declara querer ser informada. Os jovens parecem menos dispostos a ignorar a situação, com 82% a afirmar que gostaria de saber.

De forma geral, apenas um quarto dos franceses prefere não saber.

Resumo

O casal em França: um equilíbrio frágil entre vínculo emocional, desejo e liberdade

A relação amorosa em França assenta atualmente num paradoxo estrutural: um forte vínculo emocional coexiste com um desejo mais frágil e distribuído de forma desigual entre os diferentes perfis. Embora quase três quartos dos franceses que estão numa relação afirmem sentir afeto pelo seu parceiro, apenas metade continua a referir sentir desejo, e uma em cada duas pessoas admite sentir mais afeto do que desejo. Este desequilíbrio é particularmente evidente entre os seniores e os casais de longa duração, onde o desejo diminui significativamente com o tempo (50% nos casais com mais de 10 anos de relação e 45% entre as pessoas com 65 anos ou mais). Em contrapartida, o desejo mantém-se mais elevado entre os menores de 50 anos, nos relacionamentos mais recentes e em determinadas regiões, como o sudoeste de França. Os homens também tendem mais frequentemente do que as mulheres a afirmar que sentem mais desejo do que o seu parceiro, confirmando uma perceção assimétrica dentro da relação.

No entanto, esta erosão do desejo não parece diminuir a valorização do parceiro atual, que continua a ser amplamente visto como superior aos parceiros anteriores. Mais de 7 em cada 10 franceses consideram o seu parceiro atual como a pessoa mais atraente, o melhor parceiro sexual ou aquela com quem viveram as experiências sexuais mais marcantes. Esta perceção é ainda mais forte entre os jovens adultos dos 18 aos 34 anos, que tendem a idealizar mais a sua relação atual. Assim, o casal continua a representar uma fonte de estabilidade emocional, especialmente para as gerações mais jovens, apesar das flutuações na intensidade do desejo.

Neste contexto, a tentação e os comportamentos que se aproximam da infidelidade tornaram-se mais comuns, revelando uma relação mais flexível com a exclusividade. Mais de metade dos franceses já fantasiou com alguém considerado mais atraente do que o seu parceiro, e quase metade duvida que este consiga satisfazer todos os seus desejos. Estes comportamentos são fortemente influenciados pelos perfis individuais: são mais frequentes entre os homens, mas sobretudo entre os jovens adultos e aqueles que estão em relacionamentos recentes, que acumulam vários sinais de fragilidade relacional (até 73% afirmam pensar noutra pessoa durante o ato sexual em relações com menos de um ano). Por outro lado, os casais mais estáveis parecem menos expostos, especialmente em práticas digitais como o sexting ou as interações íntimas com inteligência artificial, evidenciando uma importante divisão geracional nas formas contemporâneas de “microinfidelidade”.

Rumo à normalização da infidelidade

Esta evolução insere-se numa transformação mais ampla dos modelos relacionais, marcada por uma maior abertura a formas não exclusivas de relacionamento. Um quarto dos franceses afirma já ter vivido uma relação aberta, uma prática particularmente comum entre homens, jovens e pessoas bissexuais ou homossexuais. Da mesma forma, experiências sexuais com múltiplos parceiros envolvem quase um em cada cinco franceses, novamente com maior incidência entre os jovens e as minorias sexuais. Estes resultados demonstram uma forte segmentação dos comportamentos, com a população jovem e LGBTQ+ na linha da frente da exploração relacional, enquanto os perfis mais velhos ou heterossexuais tendem a manter modelos mais tradicionais.

A infidelidade, por sua vez, integra plenamente este panorama ambivalente. Embora quase três quartos dos franceses continuem a acreditar que é possível permanecer fiel à mesma pessoa durante toda a vida — uma convicção particularmente forte entre os jovens e em algumas regiões do oeste de França —, um terço admite já ter sido infiel. Este valor é três vezes superior ao registado em 1999. A proporção é mais elevada entre pessoas bissexuais e residentes do sul de França, enquanto permanece mais baixa em regiões como a Bretanha ou o norte do país. As crenças também desempenham um papel importante: aqueles que acreditam na fidelidade para toda a vida são igualmente os menos propensos a trair o parceiro.

Perante a tentação, as intenções declaradas confirmam estas diferenças. Quase um em cada cinco franceses reconhece que poderia ceder a uma oportunidade discreta de infidelidade. Esta proporção aumenta significativamente entre homens, jovens, pessoas que já foram infiéis e perfis bissexuais ou homossexuais (cerca de 44%). As relações mais recentes também parecem mais vulneráveis, atingindo valores de até 45% entre casais com menos de um ano de relacionamento, o que confirma a sua menor estabilidade. Paralelamente, as expectativas evoluem para uma maior transparência: quase dois terços dos franceses preferem ser informados em caso de infidelidade do parceiro. Esta tendência é ainda mais forte entre os jovens (82%) e reflete uma atitude mais direta e menos tolerante em relação à mentira.

Por fim, o período de verão atua como um revelador destas dinâmicas. Embora a maioria dos franceses preferisse dedicar tempo a si própria caso estivesse solteira (mais de 50%), uma proporção significativa — cerca de uma em cada seis pessoas — consideraria ter múltiplos parceiros sexuais, especialmente entre homens, jovens e pessoas bissexuais ou homossexuais. O verão surge assim como um período de flexibilização das normas relacionais, amplificando comportamentos já presentes durante o resto do ano.

Em última análise, a relação amorosa em França está a ser redefinida através de uma equação complexa e altamente segmentada: entre um vínculo emocional duradouro, um desejo desigual consoante os perfis e uma crescente aspiração à exploração individual. Por detrás de uma norma de fidelidade ainda amplamente idealizada, práticas e perceções variam significativamente de acordo com a idade, o género, a orientação sexual e a duração da relação, desenhando um panorama relacional diversificado e em rápida transformação.


Estudo realizado por:
Manon Sendrier, Insight Executive
Pauline Poché, Insight Director


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